mercoledì, dicembre 31, 2008

martedì, dicembre 30, 2008

ADAMANT

No entanto o seu pequeno destino quisera-a perdida no labirinto.
Mas por dentro não era estorricada. Pelo contrário. Parecia por dentro uma gengiva úmida, mole assim como gengiva desdentada.
Foi então que a Srª Jorge B. Xavier bruscamente dobrou-se sobre a pia como se fosse vomitar as vísceras e interrompeu sua vida com uma mudez estraçalhante: tem! que! haver! uma! porta! de saííííííída!
EXCERTOS DE CLARICE LISPECTOR. 'À procura de uma dignidade' .
1- MEU PEQUENO DESTINO, MEU PEQUENO DESTINO QUIS-ME QUIETA, NESTE PRINCÍPIO DE SEMANA. OSCILANTE. ACORDO BENÍSSIMO, COM OS MENINOS AO LADO, MAS A TARDE VAI PASSANDO E EU ME QUEDO INCONSOLÁVEL, À NOITE. DE SAUDADE E REMORSO E UM MEDO TERRÍVEL DE QUE ME MORRA ALGUÉM;
2- NÃO ACREDITO QUE NINGUÉM COM MAIS DE 25 ANOS SEJA MOLE POR DENTRO. NINGUÉM QUE JÁ HAJA PROTAGONIZADO ACIDENTE - PEQUENO QUE SEJA - DE CARRO, OU SOFRIDO A EXTRAÇÃO DOS NERVOS DE UM TRATAMENTO DE CANAL. EU ERA MOLE POR DENTRO EM 1999. TUDO ME ATURDIA (SIM, E ISSO ERA BOM. POUCO CONVENIENTE, MAS ROMANTICÍSSIMO), E EU ANOTAVA NUM CADERNINHO LINDO PALAVRAS COMO 'ADAMANT' E 'BERSERK'. PARA DEPOIS PERCORRER O DICIONÁRIO - QUE SERVIU, MUITOS ANOS DEPOIS, DE REGALO À MINHA MÃE;
3- A 'PORTA DE SAÍDA' NÃO ESTÁ NO FUNDO DA PIA. NEM EM RESOLUÇÕES DE ANO NOVO (QUE SEMPRE ME ABORRECERAM). E EU CONTINUO PROCURANDO.

IF YOU WERE ANY THINNER, YOU WOULDN'T EXIST

ONTEM, 'NO COMEÇO DO MEU DESESPERO'*, LOQUEI O OPERÁRIO. MAIS PELOS OLHOS DO CHRISTIAN BALE, MAS TAMBÉM PORQUE HAVIA LIDO, NOS IDOS DE 2000 E POUCOS, QUE ERA FILME DENSO.
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E SEI QUE É MOROSO, MAS EU ANDAVA NUM HUMOR MEIO AZEDO**. O QUE VIESSE ERA ACRÉSCIMO.
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ENFIM, SINTO UMA VONTADE IMENSA DE REVÊ-LO. POR TRÊS, QUATRO VEZES. LONGO QUE SEJA. A ATUAÇÃO ME CONVENCE, E HÁ SEMPRE AQUELE FASCÍNIO PELAS PERDAS EXCESSIVAS DE PESO TELEVISIONADAS.
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NÃO PERCEBI NENHUMA PECULIARIDADE PSICOLÓGICA EM NINGUÉM. O PROTAGONISTA É PARANÓICO (O QUE É SEMPRE UM ENCANTO, NAS TRAMAS), MAS NADA MAIS PROFUNDO DO QUE ISSO. A CALL-GIRL (JENNIFER JASON-LEIGH - QUE TEM UMA BOCA HE-DI-ON-DA) SE AFEIÇOA A ELE, O COLEGA AMPUTADO É-LHE IRÔNICO, A SENHORIA, IRRITANTE. E SÓ.
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A BELEZA DO FILME, AO MEU VER, RESIDE EM DOIS MOMENTOS:
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1- O OLHAR QUE ELE DIRIGE À GARÇONETE, NO AEROPORTO (EU SOU CAPAZ DE ENTERRAR O DEDO NA TECLA DE RETROCESSO POR MINUTOS INTEIROS, SÓ POR ESSA CENA. SOU ABSOLUTAMENTE LOUCA PELOS OLHOS DO CHRISTIAN BALE - REPITO. E NÃO PORQUE BONITOS, OU VERDES, OU NADA. MAS PORQUE - E AQUI VAI UM DOS MAIORES CLICHÊS DO MUNDO - TÊM VIDA PRÓPRIA); E
2-A REPETIÇÃO DE 'I KNOW WHO YOU ARE', NOS ESTERTORES.
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MAS O FINAL NÃO É TUDO ISSO.
*http://ainagaki.sites.uol.com.br/textos/coralina.htm
**NO DIA 29 DE DEZEMBRO DE 2006, SOFRI UM ACIDENTE DE CARRO. DOIS ANOS DEPOIS, A COISA AINDA ME DESCONCERTA.
I understand the fascination I've even been there once or twice or more But if you don't change your situation Then you'll die, you'll die, don't die, don't die
LENDEMAIN DE FÊTE. MUSSET DIZIA QUE ERA TRISTE, E NUMA DAS MINHAS PRIMEIRAS POSTAGENS, EU ALEGUEI O CONTRÁRIO. MAS COMO TUDO O QUE PROFIRO VEM ME ABALROAR, NO CAMINHO DE VOLTA, PARA QUE EU ENFIM ME CONVENÇA DE QUE NÃO TENHO, NUNCA, SENSATEZ PARA STATE THINGS (OU DECRETAR MINHAS OPINIÕES), HOJE EU SOU UMA VÍTIMA DO DIA SEGUINTE.

lunedì, dicembre 29, 2008

Que façam harpas de meus nervos quando eu morrer.
ISSO É CLARICE LISPECTOR.
EU HOJE, COMO EM TANTOS OUTROS DIAS, PENSEI NELA. ACORDEI PENSANDO NELA. SENTINDO-ME VAZIA, MAS PENSANDO NUMA CRIATURA TÃO FENOMENAL. E FOI ISSO QUE ME IMPULSIONOU PARA FRENTE, NUMA TARDE AFLITIVA COMO A DE HOJE.
HAVIA UM TEMPO, 1999, EM QUE EU RISCAVA TUDO O QUE ME OCORRIA - NUMA PÁGINA DE LIVRO COM A ORELHA DOBRADA, OU NUMA DAQUELAS AGENDINHAS DE CAPA ESCURA. À NOITE, ERA NUM POST-IT. E NADA DAQUILO ERA NEM PARCIALMENTE ANIMADOR. MAS TUDO HONESTÍSSIMO.
HOJE EU ACORDEI PÉSSIMA. COM A LOCOMOTIVA DESCARRILADA ME AMASSANDO O ESTÔMAGO E ENTÃO A PARTE BAIXA DA GARGANTA. DONA LOURDES ACHOU-ME ABATIDA, PERGUNTOU SE ERA SONO. MAS NÃO. O QUE EU SINTO É UMA INQUIETUDE TREMENDA, UM MEDO DE PERDER ALGUÉM, DA CATALEPSIA DE DOIS ANOS ATRÁS.
Although he's healthy again now, Caleb admits that image is still a concern. He continued: "I want to look like I can defend myself. I want a guy to look at me in a bar and know that he can't talk s*** to me or run me over, even though he probably could."
Serei delicado.
Sou muito delicado.
Morro de delicadeza.
Tudo me merece um olhar.
(...)
Mato com delicadeza.
Faço chorar delicadamente
E me deleito.
(...)
Sou um meigo energúmeno.
(...)Não sou bom
Nem mau: sou delicado.
Preciso ser delicado
Porque dentro de mim mora um ser feroz e fratricida
Como um lobo.
Se não fosse delicado
Já não seria mais.
COMO DIGO, QUEM NÃO CONHECE VINICIUS A FUNDO É OPACO. E PRONTO.
ESTE POEMA DELE NÃO É O MAIS EDIFICANTE DE TODOS, MAS FERROOU-ME NA RETINA (COMO DE COSTUME) OUTRO BINÔMIO, DOS QUE COLECIONO: 'MEIGO ENERGÚMENO'.
ALÉM DE NEURÓTICA-ENFERMIÇA E GRÁVIDA-ABANDONADA, BATIZO-ME ENTÃO DE MEIGA-ENERGÚMENA. PORQUE, COMO ELE, TAMBÉM EU ESPALHO MEUS OLHOS POR ONDE PASSO, TRISTÍSSIMA. E PERDÔO UM GENOCIDA - SÓ NÃO UM ESQUECIDO.
E SOFRO, NESTE DESENCAIXE. NESTA MINHA SAUDADE OBSESSIVA.

lunedì, dicembre 15, 2008

O APARTAMENTO DA MINHA MÃE TEM UMA VARANDA. NÃO É SACADINHA, CABEM MESAS, CADEIRAS, JARROS DE PLANTA, UM PINHEIRO ANÃO, E TODA A ANGÚSTIA DO FIM DE TARDE DE DOMINGO. ESTÁVAMOS NA SALA E ELA CHAVEOU A PORTA DE VIDRO POR QUE PASSAMOS PARA IR À DITA VARANDA. DISSE QUE, SE EXISTIA UMA CHAVE, ERA PARA SER USADA. E EU PENSEI DE IMEDIATO NA ADÉLIA PRADO. A SERENATA Uma noite de lua pálida e gerânios ele viria com boca e mãos incríveis tocar flauta no jardim. Estou no começo do meu desespero e só vejo dois caminhos: ou viro doida ou santa. Eu que rejeito e exprobro o que não for natural como sangue e veias descubro que estou chorando todo dia, os cabelos entristecidos, a pele assaltada de indecisão. Quando ele vier, porque é certo que vem, de que modo vou chegar ao balcão sem juventude? A lua, os gerânios e ele serão os mesmos — só a mulher entre as coisas envelhece. De que modo vou abrir a janela, se não for doida? Como a fecharei, se não for santa? E EU, DOIDA - MAS PORQUE SITIADA, INCLUSIVE -, DESTRAVO TUDO, NA AUSÊNCIA DELA. E ME POSTO, PARA ARREPIO DO MÉDICO, NO BALCÃO, SEM JUVENTUDE. OLHANDO O MOVIMENTO E PERDENDO A FOME. PRECISO SAIR.

mercoledì, dicembre 10, 2008

INDIGNAÇÃO CONJUGAL

ISSO AÍ FOI EM ABRIL DE 2008. OS DOIS TÍNHAMOS CABELÃO (MEIO DREADLOCK). E EU GOSTAVA MAIS DA COMPANHIA DELE DO QUE DA DE UM SACO DE BACONZITOS.

SÓ DEPOIS É QUE AS COISAS MUDAM, NÃO É, E A GENTE APRENDE QUE ELE CABULA ESCOVAÇÃO DE DENTES PELA NOITE.

venerdì, novembre 28, 2008

DE VOLTA À PATELA

Nietzsche: "Odeio as almas estreitas, sem bálsamo e sem veneno. Feitas sem nada de bondade e sem nada de maldade".
COMO EU DIGO AO DOUTOR JUVENAL, O MUNDO ESTÁ COTADO EM MM. MÉDIO MEDÍOCRE - O QUE NÃO É DO MEU GOSTO E MENOS AINDA DO DE DEUS: Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca. MAS FOI COM A CLARICE QUE EU APRENDI A DENOMINAR A FALTA DE FIBRA: CARNE DO JOELHO. Todos aqueles seus filhos e netos e bisnetos que não passavam de carne de seu joelho, pensou de repente como se cuspisse

"I'm not aware of too many things butI know what I know if you know what I mean."

I sing this song for you Venuses upon your shells on the foam of the sea
And I sing this for the freaks and the cripples, and the hunchback, and the burned, and the burning, and the maimed, and the broken, and the torn, and all of those that you talk about at the coffee tables, at the meetings, and the demonstrations, on the streets, in your music, in my songs. I mean the real ones that are burning, I mean the real ones that are burning Well you know I have my songs and I have my poems. I have my book and I have the army, and sometimes I have your applause. I make some money, but you know what my friends, I'm still out there on the corner. I'm with the freaks, I'm with the hunted, I'm with the maimed, yes I'm with the torn, I'm with the down, I'm with the poor. Come on now ... Now I want to take away my dignity, yes take my dignity. My friends, take my dignity, take my form, take my style, take my honour, take my courage, take my time, take my time, .. time .. 'Cause you know I'm with you singing this song. And I wish you would, I wish you would, I wish you would go home with someone else. Wish you'd go home with someone else. I wish you'd go home with someone else. Don't be the person that you came with. Oh, don't be the person that you came with, Oh don't be the person that you came with. Ah, I'm not going to be. I can't stand him. I can't stand who I am. That's why I've got to get down on my knees. Because I can't make it by myself. I'm not by myself anymore because the man I was before he was a tyrant, he was a slave, he was in chains, he was broken and then he sang: Oh, please don't pass me by SIM, ISSO É COHEN. TUDO O QUE ELE CANTA É DE IMPROVISO, ENTÃO, FOI DEGRAVADO, AÍ ACIMA. NÃO TENHO COMO NÃO ME SENSIBILIZAR COM ESSA LETRA. A MELODIA TAMBÉM É SABOROSÍSSIMA, MAS A LETRA ME REMETE A TUDO O QUE EU SEMPRE PENSEI DO COHEN. SOLIDÁRIO. SERIA UM EXCELENTE GREVISTA. OU MESMO SINDICALISTA. DAQUELES QUE AJUDAM A ERGUER O COLEGA CAÍDO AO CHÃO - SEJA POR QUE MOTIVO -, E SEGURAM PLACAS. EU QUERIA O COHEN NA MINHA FAMÍLIA. NÃO COMO UM TIO, EMBORA ELE TENHA IDADE PARA SER MEU TIO-AVÔ, MAS COMO IRMÃO - OU MARIDO. ALGUÉM MAIS PRÓXIMO. ALGUÉM QUE EU AVISTASSE LOGO PELA MANHÃ - E NA HORA DO ALMOÇO. E QUE ME INSERISSE NAS MÚSICAS (O QUE É SONHO DE TODA ADOLESCENTE OU FÃ DE CHICO BUARQUE), E QUE TIVESSE UM APELIDINHO SÓ MEU, COMO O URSO NOUNOUSE DA 'MENINA COM A FLOR' DO VINICIUS, QUE POR ANOS EU QUIS QUE FOSSE MINHA ALCUNHA.

lunedì, novembre 24, 2008

"You’ve been hypnotized," he goes on. "You’ve got to take your mind to the laundry. Get it clean." And, he concludes, "When a man is with a woman, he has to occupy her fully." Afterwards we head out into what is now a dazzling, blue-sky day. "Nine o’clock," says Leonard Cohen, a penetrating glint in his eye, "and we’ve had several lifetimes already today."

martedì, novembre 11, 2008

voluntarioso Classificação morfossintática:- [voluntarioso] adjetivo masc singular .Sinônimos:.Antônimos:.Palavras relacionadas:. adj. 1. que age só pela sua vontade.2. caprichoso, teimoso, birreNto.
NO OUTRO DIA, EU DISSE QUE UM AMIGO ERA VOLUNTARIOSO. ELE NÃO SE OFENDEU (TANTO QUANTO DEVERIA), DADO QUE O SINÔNIMO QUE O COMPUTADOR DELE TRAZIA ERA OUTRO: OFERECIDO. PIOR: PRESTATIVO.
POIS NÃO, EU NÃO QUIS DIZER ISSO. E EMBORA ELE ME TACHE DE SUI GENERIS (MAS NÃO COM SIMILAR ELOQÜÊNCIA), ALEGANDO QUE EU ENTENDO O QUE QUERO, AINDA QUE O MUNDO INTEIRO ME PROVE O CONTRÁRIO, DECLARO-ME EM PAZ. EM PAZ COM OS MEUS DEMÔNIOS, COM MINHA MANADA DE BÚFALOS E COM OS QUATORZE PICOLÉS QUE O FRIGOBAR ME PERMITE ESTOCAR.

martedì, novembre 04, 2008

ISSO ME REMETE A UMA FRASE PROMOCIONAL DO RADIOHEAD, 'THE BEST YOU CAN IS NOT GOOD ENOUGH'. O MEU MELHOR É INSATISFACIENTE, DE FATO, EU CONCORDO. EXCETO NA DOR. NINGUÉM SOFRE COMO EU, NINGUÉM SE AGARRA A UM COMPÊNDIO DE POESIAS ATERRADORAS COMO EU. NINGUÉM ESCUTA/INTERPRETA COHEN COMO EU, OU ENXERGA A INTERPRETAÇÃO DA JULIANNE MOORE, DO ED HARRIS, DO JEFF DANIELS. NÃO COMO EU.
E MEU IRMÃO NÃO É ASSIM, OU MEUS PAIS, OU MEUS GATOS. SEQUER MEUS AMIGOS. E É POR ISSO QUE EU ME SINTO TANTAS VEZES SOZINHA.

É QUE EU SOU ESCAPISTA... PORQUE EU ACORDO DE MADRUGADA COM CALOR E FOME, E IMAGINO O QUÃO MAGNÍFICO SERIA ABRIR OS OLHOS E NÃO RECONHECER MAIS NADA.

lunedì, novembre 03, 2008

O NOME DO GATO ERA TURQUESA. ERA PARA SER UMA TARTARUGA - E ELA ADORAVA ALITERAÇÕES -, MAS COM ESSA POLÍTICA DE DEFESA A ESPÉCIES EM EXTINÇÃO (COM QUE ELA NUNCA IRIA CORROBORAR), O JEITO ERA ADOTAR UM BICHO DE RUA, SURRADO E AFÁVEL. TURQUESA ERA MAIS DO QUE ELA QUERIA, MAIS DO QUE ELA IMAGINAVA. REGRESSAVA DE SUA JORNADA NÃO EXATAMENTE EXAUSTIVA, MAS TEDIOSA, E LÁ ESTAVA TURQUESA A AFAGÁ-LA DAQUELE JEITO DE GATO. SOLTANDO PÊLOS, LAMBENDO AS PATAS. INDELICADO COMO UM FILHOTE, PERSEGUINDO OS CADARÇOS, ACOCORANDO-SE NOS TAPETES DA CASA (NENHUM DE VALOR, MAS ATÉ QUE PRESERVADOS DOS PÉS DO MARCENEIRO, DO ENCANADOR, DAQUELA GENTE QUE LHE ADENTRAVA A CASA PARA REPAROS ESTÚPIDOS E DESNECESSÁRIOS, MAS DOS QUAIS ELA NÃO SE PODIA FURTAR, OU VINHAM OS VIZINHOS ADMOESTÁ-LA, ODIOSAMENTE POLÍTICOS).

domenica, ottobre 26, 2008

DO CONCURSO DE CONTOS

Quisera esperá-lo na ante-sala, devidamente empertigada como uma primeira-dama. Nessas horas, nas quais ninguém a conhecia e ela ostentava a velha pulseira de pedras embrulhando o pulso magro, sentia-se plena. Podiam tomá-la por uma senhora dinheirosa, paciente e pouco atenta (que só os pobres exalam essa ansiedade submissa nos consultórios médicos). Abriu a bolsa vagarosa, entrecerrando os olhos na sua indiferença calculada. Resgatou um espelhinho circular e pôs-se a analisar os cílios. Perfeitos, como de costume. Coçou a orelha com o dorso da mão livre para que pudesse mirar a pulseira junto a eles. Também ela perfeita, cada pedra em seu lugar. Quem sabe se a beleza irretocável delas não estivesse justamente em não serem verdadeiras?). Sentia-se, enfim, nobre como a esposa de um bem-nascido, que o aguardava para um jantar requintado. Aquela era uma das raras ocasiões em que a ignorância não a condenava, porque aos presentes ela era anônima. Não poderiam julgá-la xucra enquanto permanecesse calada, franzindo os lábios diante do espelho. Pelo menos ali, onde o marido não lhe exigia cigarros ou um copo de cachaça, não poderiam menosprezá-la. Era, até onde se percebia, uma acompanhante de fino trato, mais ocupada com a maquiagem que com os exames do paciente. Assim eram os ricos, pensava, enxergavam o casamento com os olhos espremidos, sem se aterem às aflições do cônjuge. Para ser rica tinha de minimizar as emoções. Tinha de fumar e contemplar a suposta jóia, como quem se recorda de uma viagem ao estrangeiro. Como não pudesse dar-se ao luxo de gastar em cigarros para si, exercitava o ar displicente que a distanciava da miséria. Nas vizinhas e irmãos, nunca percebera qualquer serenidade em público. Eram afoitos e curiosos, como cães vadios. Aguçavam os ouvidos e aguardavam em pé nas salas de espera, cedendo os assentos aos importantes. Eram todos da mesma raça, compravam farinha e legumes no mesmo mercado, estendiam suas roupas no mesmo varal emprestado, mas ela se esforçava em disfarçar as origens. Enxergava com maior clareza, convencia-se. Sabia que o luxo era melhor que qualquer cervejada dominical, e que o respeito advindo do dinheiro superava aquele conseqüente da honestidade. A honestidade não lhes garantia uma geléia no pão. Mas agora era a primeira-dama. Tinha de sair mais cedo para ordenar aos empregados que fizessem as compras. Poliria a jóia no caminho e assegurar-se-ia das reservas no restaurante. Enquanto não lhe surgisse o marido suado nas mangas, bronco e aparvalhado, podia fitar os demais sem receios. Era finalmente importante. Se não lhe agradassem os sus olhares desdenhosos, que baixassem a cabeça. Dentro em pouco, no entanto, vinha ele, pisando tonto em função do sedativo. Haviam-lhe explorado o estômago. A camisa ordinária, amarfanhada, punha a perder o precioso instante de glória da mulher. Seu nome (o dela), proferido com aquela voz empastada, agravaria o vexame. Estava para ser descoberta. Mais um minuto e associá-la-iam àquela figura cambaleante. Imaginava-o recitando seus agradecimentos com a humildade mais ultrajante de quem recebe um favor. Podia mesmo sentir, em seguida, aquelas mãos espalmadas apertando-lhe o braço. Conduzi-lo-ia como a um jumento. Não se devia saudar uma primeira-dama daquela forma, tampouco reverenciar um médico por prestar-lhe serviços. Também ele tinha direitos, sobretudo porque ela se dignara a esperá-lo com toda a classe que seu trabalho lhe conferia , por quase uma hora. Cumpriram a parte deles, sabe-se Deus como –porque desconhecia a maneira como ele se havia portado além das paredes da sala. Ela, todavia, não poderia ter-se saído melhor. O embaraço viria com o arrepio que ela já se acostumara a sentir, na hora do pagamento. Trincava os dentes, desacreditada, e já lhe tingia o rosto a angústia de um general vencido. Lutara com sofreguidão, cuidando para que inclusive os espirros saíssem-lhe baixos, mas ele poria tudo a perder. As dúzias de células encardidas brotariam do bolso da mesma camisa enrugada, e assim denunciariam à secretária suas limitações imperdoáveis. Haviam, sim, poupado centavos e notas miúdas, suspendendo os almoços oferecidos ao padrinho da criança. Estariam entregues. Nutria agora ódio avassalador pela singeleza impudente do gesto que estava por ser praticado. As comportas da vaidade eram-lhe finalmente abertas e ela não conseguia conter os maus desejos. Repentinamente, queria visitar o estômago do marido, mas com facas. Queria feri-lo porque não acreditava que um dos colegas não lhe pudesse arranjar um dinheiro menos surrado em troca daquela pilha amarrotada. Ele não se esforçava em parecer melhor. Era mais um miserável conformado, com a cabeça povoada de cenários de bares, sorrindo da própria cruz como um cavalo contempla a carroça. Morreria sem limpar os cotovelos aspérrimos, sem cobiçar sequer um terno, ou sentar-se nas poltronas (cujo estofado ela apenas imaginava) de um avião. Tratava-se de um homem circunscrito na rotina do pai e do avô. Nascera no chão batido, e não tivera, até então, a capacidade de estender o pescoço através da janela e dar-se ao direito de desejar o que os pais não lhe haviam podido dar. Por fim ele a cercou com os olhos, ainda assustado com os sentidos que não lhe voltavam de todo. Murmurou alguma interjeição e voltou-se para agradecer ao médico com um aperto sofrido de mãos. Sentia-se desfalecer. Pôde ainda contemplar os dentes redondos da enfermeira que o observava serena, e julgou-a prestimosa. Depois caiu. A primeira-dama retomou seu posto, agora acrescentando à elegância uma pressa súbita. Como se escutasse um alarme que dispara, ergueu-se aborrecida. Dirigiu-se ao banheiro. Tornaria tão logo o retirassem da vista da clientela, convencidos de que um pobre-diabo daqueles viera desacompanhado. Ninguém poderia castigá-la, e se o tentassem, o entrecerrar de olhos amparado por duas breves negativas haveriam de inocentá-la. Sacudiu o pulso confortada. Quem sabe o motorista não a levaria para polir as jóias sem o prefeito?.. 26/09/2001.

venerdì, ottobre 17, 2008

CLARICE LISPECTOR, AINDA

Há um velho equívoco sobre a palavra amor, e, se muitos filhos nascem desse equívoco, tantos outros perderam o único instante de nascer apenas por causa de uma suscetibilidade que exige que seja de mim, de mim! que se goste, e não de meu dinheiro. Mas na umidade da floresta não há desses refinamentos cruéis, e amor é não ser comido, amor é achar bonita uma bota, amor é gostar da cor rara de um homem que não é negro, amor é rir de amor a um anel que brilha.
O REFINAMENTO CRUEL É A GENTE SE PRETENDER DESEJÁVEL, QUANDO AS COISAS QUE POSSUÍMOS O SÃO MUITO MAIS.
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ACHO FORMIDÁVEL ESSA OBSERVAÇÃO DA CLARICE LISPECTOR, CRUA E HONESTA.
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POIS EU QUERO ALGUÉM QUE ME AME PELOS MEUS GATOS, E PELAS MINHAS POLTRONAS RUBRAS. PELA MINHA DIETA-DO-PICOLÉ E POR AQUELES LIVROS RABISCADOS QUE EU TRAGO ESPALHADOS PELOS QUARTOS. ESTOU CIENTE DE QUE MINHA PERSONALIDADE NÃO É ADORÁVEL O SUFICIENTE PARA MANTER CATIVA UMA PESSOA QUE DESCONHEÇA MEUS OBJETOS PRECIOSOS, TODOS EXTRÍNSECOS À ALMA.

MI

O nome dela era Mi. Só isso. Duas letras bastaram ao pai no cartório. E não era gago. Gostava de "Mi" como de "Lucrécia", mas a mãe, morta no parto, não haveria de aprovar este último – que era como se chamava uma vizinha ruiva de dentes perfeitos, por quem qualquer homem facilmente se apaixonaria.
. Mi tinha uns olhos de kiwi. O bicho – não a fruta. Eram castanho-desbotados e, se observados com um cuidado que nunca em vida lhe dispensariam, pareciam cravejados de pêlos, todos penteados para a esquerda, como ordenados numa corrente eletromagnética.
. Há pessoas de poucas palavras, mas Mi era mais densa do que isso – ou mais simples -: o que lhe eram comedidos eram os gestos. Numa briga, limitava-se a morder o lábio superior – o que provocava risos indesejados, dada a ocasião, no objeto de sua fúria. No sujeito de sua fúria. Mesmo a fúria de Mi era peculiar: num arroubo, quebrava um lápis. E depois colava os pedaços – sem sucesso, naturalmente -, e os beijava e os punha debaixo do travesseiro. Também o amor de Mi, como se percebe, era castanho-desbotado.
. Mas era quinta-feira. E às quintas-feiras, na casa da família miúda da Rua Abagiba, jogava-se dominó e sorvia-se vinho - de um valor não exatamente risível, mas compatível com a renda do senhor pai de Mi. E também a menina bebia. Aos pouquinhos, como quem tateia com a colher uma sopa quente. Pelas beiradas. Devagarzinho.
. - "Sua vez" – gritava o velho. E Mi, sem pensar muito, exibia-lhe uma peça.
. Não guardava os carrilhões, mas também não os utilizava com nenhum critério. O que interessava a Mi era o momento de interação com o pai. Fartava-se de olhar o bigode, as sobrancelhas, as vibrissas brancas do seu último caco de família.
. As avós de Mi moravam longe. A materna, em Cuiabá – que, para Mi, era o lugar mais longínquo do globo terrestre -; a outra, duas ruas abaixo da dela, numa casa de que Mi não se lembrava. Viam-se um dia, a cada trezentos transcorridos, porque o senhor pai de Mi se aborrecia com os comentários da senhora.
. "Sua vez" – repetia ele, dois copos de vinho depois. "Sua vez, vamos...’
. A toalha da mesa era listrada. Para Mi, deveria ser quadriculada, como as dos restaurantes dos desenhos animados. A taça – que na verdade era um copo raso, que o pai não era disparatado a ponto de entregar-lhe nas mãos uma taça de cristal – manchava quatro listras e o espaço entre elas, num círculo perfeito. Como faziam para que os fundos dos copos tivessem aquele formato impecável? E Mi sorria, assombrada. Distraindo-se com o que lhe era dado, com o que a saleta lhe oferecia. Com os pêlos do pai, com o vinho. Ah, o vinho...
. Mi não contava ao pai, mas de vez em quando pensava na mãe. Havia fotos espalhadas por toda a casa, e por elas constatara que os olhos de kiwi tinham, pois, uma origem. Dona Margarida, a mãe, tinha olhos mortiços e maçãs do rosto saltadas. Bonita não seria ali e nem em Cuiabá – ria-se Mi. E golejava, já sem rodeios, o vinho.
. - "Pai, se o vinho fosse branco, a mancha não aparecia...", e deslizava o copo para um lado.
. O pai de Mi gostava dela. Via-se na obrigação de gostar dela, em verdade. Ninguém mais lhe passaria as camisas amarrotadas, ninguém perderia uma noite de quinta-feira sentada a uma mesa velha, com tanto acontecendo da porta para fora. Tinha, claro, de gostar da filha. E ela tinha umas mãozinhas tão bonitas, meu Deus...

lunedì, ottobre 13, 2008

CHRISTIAN THE LION

É A HISTÓRIA MAIS TOCANTE DE QUE EU JÁ TIVE NOTÍCIA, ENVOLVENDO ANIMAIS. DOIS AMIGOS AUSTRALIANOS DECIDIRAM COMPRAR, NA HARROD'S, EM LONDRES, UM LEÃOZINHO. . NÃO DIGO MAIS, APENAS QUE O VÍDEO É ESPETACULAR, E DRENA LÁGRIMAS MESMO DE UMA PEDRA. TALVEZ POR CAUSA DA FISIONOMIA DE RENDALL, O AMIGO LOIRO, QUE PARECE CHORAR A CADA SORRISO. . AÍ EU ME QUEDO MUDA, AQUI, DESGRENHADA, PENSANDO NO QUANTO A GENTE SE PERDE TENTANDO APRISIONAR OS OUTROS. HÁ UM TEXTO LINDO DA CLARICE LISPECTOR, 'A MENOR MULHER DO MUNDO', EM QUE ELA SE REFERE A ESSA NOSSA ÂNSIA. LÁ PELO MEIO, LÊ-SE: 'E considerou a cruel necessidade de amar. Considerou a malignidade de nosso desejo de ser feliz. ' A FELICIDADE DOS AMIGOS ERA MANTER CHRISTIAN SOB O SEU DOMÍNIO. NÃO EXISTE AMOR DE DONO QUE SUPERE A 'MALIGNIDADE DO DESEJO DE SER FELIZ'. A GENTE CERCA UM ANIMAL, UM FILHO, TANTAS VEZES, NÃO COM O INTUITO NOBÍLIMO DE ESCULPI-LO PARA QUE ESCULPA O MUNDO, MAS NO AFÃ DE TER ALGO SÓ NOSSO, QUE INTERAJA COM OS OUTROS, MAS QUE SEJA SÓ NOSSO. QUE RETORNE A CASA AO FIM DO DIA. QUE NOS TRATE COMO NINGUÉM MAIS SABE. . SEM DÚVIDA, FOI RECONFORTANTE PARA OS AMIGOS VER O LEÃO AMBIENTALIZADO, COM SUA CRIA, MAS GANHARAM MAIS COM O AFAGO DESAJEITADO QUE OS DERRUBAVA. PORQUE CHRISTIAN AINDA ERA DELES. AINDA SE LEMBRAVA DELES. AINDA OS TRATAVA À SUA MANEIRA, FORTE, DE FORMA A ASSEVERAR-LHES QUE PAR NENHUM OCUPARIA O ESPAÇO DA SUA CRIAÇÃO. . POIS TAMBÉM EU NUTRO UMA NECESSIDADE CRUDELÍSSIMA DE AMAR. E DE POSSUIR. É POR ESSE MOTIVO (EM PARTE, IMORAL) QUE EU ABRIGO SOB O MEU FORRO DE GESSO COSTURADO DE SPOTS HALÓGENOS OS MEUS TRÊS GATOS. PORQUE QUERO SER RECEBIDA EM CASA TODAS AS NOITES, E ACORDAR DE UM PESADELO LADEADA POR AQUELES OLHINHOS AMARELOS. PORQUE QUERO ME SENTIR INSERIDA EM UM CONTEXTO, EU, A 'MISFIT, I' DA MÚSICA DO PINK FLOYD, AO COMPRAR-LHES A RAÇÃO NO SUPERMERCADO. COMO SE FOSSE LEITE EM PÓ PARA A CRIANÇA. COMO SE A SOCIEDADE E O MINISTÉRIO PÚBLICO PUDESSEM ME CONFIAR ÀS MÃOS A RESPONSABILIDADE POR UMA VIDA. (EU AINDA ACREDITO QUE, FOSSEM INFORMADOS OS ÓRGÃOS COMPETENTES - INTERESSADOS, NA VERDADE -, TIRAVAM-ME A GUARDA DOS MENINOS. PORQUE EU OS ATORMENTO COM O MEU AMOR DESMEDIDO, OBSESSIVO, E A MINHA VOZ CHATINHA, LOGO CEDO E LOGO TARDE.) . MAS É CENTRADA NA EXPRESSÃO CANSADA DO DONO DO LEÃO, JOHN RENDALL, QUE EU ARREMATO MINHA LADINHA. PORQUE EU QUERO ME ESFALFAR PELAS MESMAS VIAS. PADECENDO NO MEU PARAÍSO NEVADO DE PÊLOS.

lunedì, ottobre 06, 2008

NO ÚTERO. ÚTERO DE PAPELÃO. MINHAS PARTES INTESTINAS SÃO TODAS ASSIM, AMARELAS-OCRE, ESPAÇOSAS E CONVIDATIVAS.
CABEM OITO GATOS NO MEU CORAÇÃO.

giovedì, ottobre 02, 2008

venerdì, settembre 26, 2008

COHEN NA BÍBLIA

But everything will happen if he only gives the word The lovers will rise up And the mountains, touch the ground

'EU NÃO SOU DIGNO DE ENTRAR EM TUA MORADA, MAS DIZE UMA PALAVRA E SEREI SALVO'...

UMA VEZ ME DISSE O MEU IRMÃOZINHO QUE ESSAS PEÇAS DE FILOSOFIA, TODAS, QUE ME ENCANTAM, NÃO SÃO NOVIDADE PARA A BÍBLIA. TRATA-SE DE TRANSCRIÇÃO MAIS REQUINTADA, DO 'PLÁGIO INTELIGENTE'.

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ENTÃO EU ME REMETO AO MEU SEMPITERNO DEMÔNIO (QUE TAMBÉM, DISSE CAMILO, NÃO HÁ QUE SER BOM, SENDO DEMÔNIO, E, PORTANTO SOLDADO DO MALIGNO) E RELEIO TUDO O QUE ELE CANTA (POR VEZES, DECLAMA, COMO EM 'AVALANCHE'). E TORNO À BÍBLIA. CREIO QUE EM ISAÍAS, E SOMENTE EM ISAÍAS, EU ENCONTRARIA UM EQUIVALENTE PARA A ANGÚSTIA DOS UIVOS DE COHEN. EM ISAÍAS 9, TALVEZ:

. 19 Por causa da ira do SENHOR dos Exércitos a terra se escurecerá, e será o povo como combustível para o fogo; ninguém poupará ao seu irmão. 20 Se colher à direita, ainda terá fome, e se comer à esquerda, ainda não se fartará; cada um comerá a carne de seu braço.

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E EU SOU ENCANTADA - MORBIDAMENTE - PELO PROFETA, A QUEM LEIO COM SEDE. COMO O SOU PELO COHEN - ESTE, AINDA VIVO, E DIGNO DE UMA VISITA MINHA, SEJA EM QUE CAPITAL FOR.

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E SE É PROFETA (NÃO O COHEN, EMBORA EU PRÓPRIA DESCONFIE DESSA NEGAÇÃO), ESTAMOS TODOS A UM PASSO DO DESFILADEIRO. E A QUEDA SERÁ TORTUROSA, PORQUE HAVEREMOS DE NOS AUTOMUTILAR. E A TERRA EM CHAMAS, E A IRA, E A FALTA ABSOLUTA DE ESPERANÇA. MAS É POR ISSO QUE EU QUERO SER UM 'LOVER'. PARA 'RISE UP'. E ASSISTIR AO INCRÍVEL ESPETÁCULO DAS MONTANHAS SE CURVANDO AOS NOSSOS PÉS.

mercoledì, settembre 24, 2008

OS OLHOS DO COHEN NÃO SÃO LUMINOSOS, MUITO PELO CONTRÁRIO. TORTURADOS. SEM UM CENTÍMETRO DE VIDA. UM MILÉSIMO DE SEGUNDO. MESMO QUE ELE SORRIA. MAS COMBINAM ADMIRAVELMENTE (COM ENCÔMIO, QUE É PALAVRA QUE APRENDI NO OUTRO DIA, LENDO NÃO ME LEMBRO O QUÊ) COM ESTES VERSOS: . His hand upon his leather belt now/Like it was the wheel of some big ocean liner
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Now if you intend to show me disdain, /don't you know it all the more enraptures me, /for even so I still remain /your lover in captivity
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You let me love you till I was a failure /Your beauty on my bruise like iodine
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Queen Victoria,/I am cold and rainy,/I am dirty as a glass roof in a train station
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And she shows you where to look/Among the garbage and the flowers/There are heroes in the seaweed/There are children in the morning/They are leaning out for love/And they will lean that way forever
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And she comes to his hand/but she's not really tame/She longs to be lost/he longs for the same
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I ate and ate and ate,/no I did not miss a plate, well/How much do these suppers cost?/We'll take it out in hate./I spent my hatred everyplace,/on every work on every face,/someone gave me wishes and/I wished for an embrace
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I told my mother "Mother I must leave you/preserve my room, but do not shed a tear/Should rumour of a shabby ending reach you/it was half my fault and half the atmosphere"
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But I lingered on her thighs a fatal moment/I kissed her lips as though I thirsted still/My falsity had stung me like a hornet/The poison sank and it paralysed my will
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MAIS COHEN. MUITO, MUITO MAIS

ESSA IMAGEM VEIO DE UM SÍTIO INTERESSANTE, E HONESTÍSSIMO - PORQUE SE RASGA EM ELOGIOS AO MEU COHEN: http://revoluttion.blig.ig.com.br/2007/24/primeiros-discos-de-leonard-cohen-ganham-reedicao-luxuosa.html.
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OCORRE QUE O AUTOR PRESTOU-SE A DESTACAR, COM FLUORESCENTE ROXA, ALGUMAS DAS MÚSICAS, TRANSCREVENDO-LHES INCLUSIVE ALGUNS VERSOS, O QUE ME INCENTIVA, DE PRONTO, A MONTAR MEU PÓDIO. E ISTO QUE ESCREVO É PARA O RAFA LER, ELE QUE NÃO CONHECE COHEN - E ESTÁ PERDENDO OS MELHORES DIAS, OS MAIS INTENSOS, OS MAIS CAVERNOSOS, DE SOFRIMENTO.
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(A VERDADEIRA DOR NÃO APENAS INCOMODA, COMO TAMBÉM PURGA. UM LONGO LUTO REFINA O SANGUE, E ISSO EU VOU ACHAR SEMPRE. E DIZÊ-LO. NOS PIORES MOMENTOS DA MINHA VIDA, EU ESCREVIA, LIA COM UMA PAIXÃO AVASSALADORA E ABSORVIA, MESMO COM NÁUSEA, TODA A POESIA TRISTE DOS MEUS BONS-DEMÔNIOS. ACABA QUE TORNEI-ME MAIS SENSÍVEL PARA UNS BINÔMIOS, COMO 'NEURÓTICO-ENFERMIÇO', 'CARNE-DE-JOELHO', E FIEL USUÁRIA DE POST-ITS AMARELINHOS - ALGUNS BRANCOS -, QUE, DEVIDAMENTE DATADOS, REPRODUZIAM MEU ESTADO DE ESPÍRITO NO DIA...)
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COMEÇO POR DIZER QUE O COHEN É (AINDA HOJE. UM POUCO DEPRECIADO, NO SENTIDO CONTÁBIL DA PALAVRA) UM HOMEM BELÍSSIMO. TEM (TINHA, QUE HOJE OS RASPA) UNS CABELOS INVEJÁVEIS, DO TIPO QUE EU PEDI AO HEMERSON (SEM SUCESSO). E UM NARIZ FINO, UMAS SOBRANCELHAS DESOLADAS. NA CAPA DE 'SONGS OF LOVE AND HATE', PERCEBEM-SE ESSAS HUES. DE CINZA.

domenica, settembre 21, 2008

MINHA MÃE SENTE UMA VERGONHA IMENSA DO QUE ESTOU POR DIZER, MAS A VERDADE (E NÃO EXATAMENTE NOVA, DE FORMA ALGUMA) É QUE EU SOU FASCINADA POR MÚSICAS (E POESIAS, E TEXTOS E GRAVURAS) TRISTES. E AFEITA DE TAL MODO QUE NÃO ME IMPORTA MAIS O RESTO. SÓ O QUE ME SOBRA NA CABEÇA, APÓS EXECUTADAS LISTAS E LISTAS DO AIPODE, É 'LEAVING GREENSLEEVES'. OS VERSOS NÃO SÃO TODOS FACILMENTE INTERPRETÁVEIS - MUITOS DOS QUAIS EU SEQUER ENTENDO, MAS PROCURO CONFERIR-LHES SENTIDO, DE ACORDO COM O MEU HUMOR -, MAS A MELODIA É SUFOCANTE E, ARREMATO, AR-RE-BA-TA-DO-RA. ACHO O CONJUNTO TORTUROSO. E NÃO TENHO COMO DEIXAR DE ME VALER DESSES ADJETIVOS TODOS, PORQUE, EM SE TRATANDO DE COHEN, AS QUALIFICAÇÕES, OS ELOGIOS, OS COMENTÁRIOS AFETADOS SÃO INEVITÁVEIS. EM 'LEAVING GREENSLEEVES', ELE DESEJA A QUE DESDENHA DELE, E, EM SUA MELHOR ESTROFE, VÊ FRUSTRADA SUA (BOA) TENTATIVA DE 'START OVER': Then I saw you naked in the early dawn Oh, I hoped you would be someone new; I reached for you, but you were gone So, Lady, I'm going too.
E UM DIA EU AINDA VOU DIZER ISSO, ASSIM DESSA MANEIRA TÃO DOLOROSA, PARA ALGUÉM. E VAI ESTAR CHOVENDO, NATURALMENTE, E, COMO DIZIA O VINICIUS, 'A AUSÊNCIA DE CORES NO MOMENTO DA SEPARAÇÃO É TOTAL'. VAI SER TUDO UM AZUL-PETRÓLEO GELADÍSSIMO, E SE ABRIRÁ LIGEIRO E DELGADO, UM BURACO NO HORIZONTE, QUE ME LEVE PARA O 'I'M GOING, TOO'.

domenica, settembre 14, 2008

FAZIA MUITO TEMPO QUE EU NÃO DAVA VAZÃO AO MEU VERBO... SAUDADE DO FINZINHO DOS 90. DESSE POVO QUE SABE TRATAR A GENTE BEM, QUE SE DIVERTE COM AS NOSSAS ANEDOTAS, E QUE FAZ O MUNDO PARECER BORBULHANTE E DOCE...
MEU SONO DESTA NOITE (DESSA) FOI AGITADO. EMBORA EU TENHA SIDO EMBALADA CEDO (COMPARATIVAMENTE AO MEU TEMPO ÚTIL, HAVENDO CHEGADO EM CASA), TERMINEI POR ME TRANSPORTAR AOS ACAMPAMENTOS PALESTINOS, ONDE ÁGUA NÃO ABUNDAVA E A CORDIALIDADE DE TODOS ERA POSTA À PROVA. SÓ ME LEMBRO DE SER REJEITADA. SEMPRE. E DE PROCURAR, SEM SUCESSO, ASPIRINAS NA MALA. AÍ EU ACORDO, SEM MEUS MENINOS POR PERTO, E ME PASSO À COZINHA, ONDE A ÚLTIMA DRÁGEA DE CEFALIV RESIDE. GOSTO (É POÉTICO) DE ACREDITAR QUE O MEU PIOR DEFEITO É A NOSTALGIA. SENDO OU NÃO, O FATO É QUE NÃO HÁ UM DIA EM QUE ME LEVANTE SEM SUSPIRAR PELO TEMPO EM QUE A BUSCA DESENFREADA POR UM EMPREGO SATISFACIENTE ESTAVA SOBRESTADA. EM QUE EU VIRAVA AS NOITES, MAS FELIZ. EM QUE HAVIA AMIGOS COM QUEM CONVERSAR, A TODA HORA, E EM QUE A TAÍS - QUE É A PESSOA MAIS EXTRAORDINÁRIA QUE FLOREOU A MINHA ROTINA - MORAVA A DOIS PASSOS DE MIM.

martedì, settembre 09, 2008

Convívio Social - algumas regras de etiqueta Apresentação 1. Sempre se apresenta o homem à mulher. Todavia, tratando-se de um religioso, a mulher deverá ser apresentada. 2. Apresenta-se uma pessoa mais moça a uma mais idosa, e a solteira à casada. 3. A mulher deverá estender a mão, antes que o faça o homem que lhe foi apresentado. No entanto, se a pessoa apresentada se limitar a um outro cumprimento, deverá ser correspondido do mesmo modo (exemplo: ligeira inclinação de cabeça). 4. A mulher, em sociedade, nunca se levanta ao ser apresentada a outra mulher, com exceção se esta for a anfitriã ou uma senhora de idade. 5. Os anfitriões não necessitam apresentar todos os convidados entre si, no caso de uma recepção de grandes proporções. Basta apresentar alguns à chegada. E num coquetel usa-se a mesma praxe. 6. O convidado de honra, numa recepção de cerimônia, é apresentado a todos os convidados e deverá ficar ao lado da anfitriã, à entrada e de pé. HÁ QUEM SE ATRASE SEGUINDO ESSAS REGRAS CRETINAS, MAS EU PREFIRO APRESENTAR TODOS A TODOS, EM VOZ ALTA, SOLTEIROS OU ESPOSADOS, E ME ERGUER PARA UM ABRAÇO, À CHEGADA DE ALGUÉM. http://www.idealgratis.com/

giovedì, settembre 04, 2008

NÃO SEI SE PORQUE ANDO MUITO SENSÍVEL - MEU EUFEMISMO PARA DRAMÁTICA, PSICOSSOMÁTICA E PARANÓICA -, MAS NÃO ME CONTIVE DIANTE DESSA FIGURA. NEM S OLHOS DO JADEL GREGÓRIO ME SUGARAM COM TAMANHA AVIDEZ. ESSE LARANJA É COMO EU QUERIA A MINHA PAREDE. MELHOR, A MINHA PORTA, PARA QUE EU FOSSE DAR COM ELA LOGO AO CHEGAR EM CASA.

martedì, settembre 02, 2008

INSOMNIA. NÃO É MUITO TARDE, MAS JÁ DOU POR ENCERRADA A MADRUGADA. LOGO EU, QUE QUERIA ACORDAR ÀS CINCO, PREPARAR CAFÉ, CORRER E TESTAR NO CABELO O CREME QUE ME CUSTOU DEZ REAIS (UMA EXORBITÂNCIA, PARA OS MEUS COSTUMES), SEMANA PASSADA. * ENTÃO FAÇO DESTA CLARA NOITE O MELHOR QUE PODEMOS, EU E O MEU COMPUTADOR: A VOZINHA SUAVE DA CAT POWER, CANTANDO 'I'VE BEEN THINKING ABOUT', E FUGINDO DE UMA CRIATURA QUE SE INTITULA CIBO MATTO, COM SUA VERSÃO ODIOSA PARA 'JE T'AIME... MOI, NON PLUS' - QUE É UMA MÚSICA QUE, NO TIMBRE DO BRIAN MOLKO, VALE MUITOS DINHEIROS, MILHARES DE APLAUSOS E TODA A MINHA SIMPATIA - EU, QUE NÃO TENHO DINHEIROS E NEM APLAUSOS. * VOU FAZER OUTRA XÍCARA DE CAPUCCINO. E VER SE OS MENINOS, PELO MENOS ELES, DORMEM.

lunedì, settembre 01, 2008

VIOLÊNCIA SENTIMENTAL

ESSA EU DESCONHECIA. A VIOLÊNCIA SENTIMENTAL. ACABO DE LER AQUI: http://cantorum.com/cgi-bin/mt/mt-search.cgi?search=t%C3%A3o (Eu acho que nada justifica a violência sentimental, assim como a física, mas a dor de um sentimento é em mim muito mais torturosa e penetrante que uma dor física. Sentimentos são a maior riqueza do ser humano.) . NÃO ACHEI O PAR DE LINHAS EXATAMENTE PROFUNDO OU INSPIRADOR, MAS O BINÔMIO ME FISGOU. VIOLÊNCIA+SENTIMENTAL. . O QUE EU CONHECIA, PELA FILOSOFIA, ERA A VIOLÊNCIA MORAL. QUE É O CIDADÃO SER COMPLEIDO A PRATICAR O CORRETO - UNICAMENTE PORQUE HÁ PLATÉIA QUE O REPRIMA. . POIS A VIOLÊNCIA MORAL QUE ME FERE É APRENDER A VIRAR OS BRAÇOS COMPASSADAMENTE, ORA FORA D'ÁGUA, ORA DENTRO. É TOMAR DUCHA DE CHINELOS, É TER DE ME VESTIR DEPOIS DO BANHO, PARA, CHEGANDO EM CASA, ME DESPIR NOVAMENTE, ATÉ ENTRAR NO PIJAMA. É TER DE ME PORTAR COM, COM, COM.... COM DISCRIÇÃO, QUANDO É TÃO MAIS CÔMODO SAIRA ÀS RUAS DE ROUPÃO, TOALHA DE BANHO ENROLADA NA CABEÇA E SALTO ALTO. .

NADO LIVRE

MAKES YOU WONDER. NÃO ENTENDI O SIGNIFICADO DO POSTAL, MAS ACHEI POR BEM TORNÁ-LO LIVRE. NADO LIVRE. EM VEZ DE 11:11, NO MEU VISOR, HOJE, ESTARIAM OUTROS QUATRO DÍGITOS: 22:09. 'I WISHED FOR A BRIEF ENCOUNTER, BY THE WAY. AND THEN THE SLOG...'